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18 DE JUNHO | DIA DA IMIGRAÇÃO JAPONESA

O Dia da Imigração Japonesa ou dia Nacional da Imigração Japonesa é comemorado em 18 de junho. A imigração japonesa começou no início do século XX, por meio de um acordo entre o governo brasileiro e japonês, uma vez que o Japão vivia uma série crise econômica, com muitos habitantes desempregados e passando fome, e o Brasil necessitava de mão de obra livre para as lavouras de café, em defesa de uma politica imigratória voltada a interesses econômicos.


Os acordos sobre a imigração japonesa já existiam desde 1880. Nesse ano, houve o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão, mas foi apenas em 1895 que o Tratado se concretizou. A primeira leva de imigrantes chegou ao Brasil no porto de Santos-SP em 1908 com destino as plantações de café do interior paulista. O interesse dos japoneses estava centrado na estabilidade econômica que fora divulgada a eles sobre o Brasil, no sucesso internacional da exportação de café, na restrição de suas entradas em outros países e no aumento demográfico da população japonesa.


O primeiro navio, Kasato Maru, aportou em Santos com 781 trabalhadores japoneses. A imigração japonesa ao longo do tempo, passou por diversos períodos de entrada: as iniciativas de 1908-1924; as do investimento do governo japonês (1925-1936); a imigração durante a guerra (1937-51); a imigração no pós-guerra (1952-1987); a emigração para o Japão (movimento dekassegui – 1988-2005) e depois o retorno de nipo descendentes devido à crise econômica mundial (1988 – presente). A maior parte dos japoneses eram oriundos das províncias do Sul e do Norte do Japão, e foi no estado de São Paulo que permaneceu a maior parte dos colonos japoneses que vieram para o Brasil, com mais da metade desses japoneses e desentendes no estado de São Paulo.
Em São Carlos, os primeiros registros da presença japonesa datam de 1910, com a entrada de famílias de japoneses concentrada na economia cafeeira. As informações quanto a quantidade de famílias variam de acordo com as informações da época. O Anuário Comemorativo indicava 16 famílias de origem japonesa na Estação São Carlos; já o recenseamento publicado em outro Anuário, indicava a presença de 21 famílias na Estação São Carlos, que se distribuíam em fazendas da região. Esta leva de imigrantes que se estabeleceu na cidade; descreve a difícil chegada ao Brasil e como, assim que foi possível, saíram das plantações de café em busca de novas colocações e atividades – entre estas atividades, a comunidade japonesa se organizou em núcleos para desenvolver atividades como horticulturas e as granjas.
O bairro Tijuco Preto, tornou-se ao longo do tempo um núcleo nipônico na cidade ao receber a sede social da associação japonesa local. Outras regiões da cidade, chamadas de “cinturões verdes”, concentrou os imigrantes japoneses e seus descendentes; são as regiões atrás da Santa Casa, no Monjolinho e onde hoje em dia se encontra a UFSCar. A partir de 1970, a migração industrial e universitária tornou-se determinante para o perfil da comunidade japonesa atualmente, deixando suas características rurais para um perfil mais urbano.


Hoje, a comunidade local se preocupa com a vivência de sua identidade, que é depositaria da cultura tradicional e fisicamente distante do Japão; assim, encontramos estímulos a essa vivência cultural em eventos como o Matsuri, que existe desde 2008, a criação dos grupos como Tomo no Kai, Komodo no Kai e a reabertura da Associação Nipo-Brasileira de São Carlos, que alimentam e fomentam entre os descendentes a revitalização da cultura japonesa. Citando a obra, “A presença japonesa em São Carlos”: “a comunidade japonesa de São Carlos é formada por membros das antigas famílias que para cá imigraram no período anterior a segunda guerra e nos anos imediatos do pós-guerra, (…) e pelos novos migrantes, estudantes universitários e profissionais. É um grupo eclético, mas que se aglutina cada vez mais em torno das iniciativas culturais japonesas da cidade, e por conseguinte, retoma o sentido de comunidade, aproximando antigos e novos imigrantes, através das heranças de suas etnias” [pag. 126].

Para saber mais A Presença Japonesa em São Carlos: caderno de pesquisa/ Fundação Pró-Memória de São Carlos. São Carlos: FPMSC, 2011.

Imagem: Associação Esportiva Tijuco Preto – crianças em trajes tradicionais (Coleção particular. DPD-FPMSC)

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