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Jovem morre após procurar atendimento 4 vezes em pronto-atendimento e na Santa Casa

A família de uma jovem de 18 anos, que morreu depois de procurar atendimento quatro vezes no pronto-atendimento e na Santa Casa de Leme (SP), está cobrando explicações. Os pais registraram um boletim de ocorrência e acreditam que a morte poderia ter sido evitada.

“Por que não levaram ela direto para a Santa Casa? Com certeza a minha filha não teria morrido”, disse a mãe de Bianca Martins de Lima, Lucinete Martins Alves.

O coordenador do pronto-atendimento, José Carlos Louzada Santana, explicou que o atendimento da jovem seguiu os protocolos médicos.

Atendimentos
O drama da família de Bianca começou na quarta-feira (28) quando a jovem procurou pela primeira vez o pronto-socorro de Leme com queixa de dor de cabeça forte. No local, foram feitos exames de sangue e urina, que mostraram que ela estava com uma infecção.

Segundo o coordenador do pronto-atendimento, José Carlos Louzada Santana, foi aberta uma sindicância interna depois da morte da jovem, que constatou que ela não esperou o resultado dos exames. Ela foi embora com o marido mesmo sem receber alta.

No dia seguinte, ela voltou com a mesma reclamação de dor, fez novos exames, mas a análise deu normal e ela voltou para casa.

Dois dias depois, no sábado (31), ela voltou ao pronto-atendimento pela terceira vez, mas dessa vez com falta de ar, dor no peito e pressão baixa. Ela foi atendida e encaminhada imediatamente para a Santa Casa.

O pai conta que Bianca chegou a ir direto à Santa Casa, mas não foi atendida.

“Antes ela foi na Santa Casa e não receberam porque era caso de UPA”, disse Isnaldo Feliciano de Lima.
Ainda segundo a família, por volta das 14h a ambulância levou a paciente para a Santa Casa e ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde entrou em coma e morreu.

Questionado sobre o histórico de atendimentos no pronto-socorro, o coordenador complementou que a paciente alegou ter a dor há aproximadamente um mês e tinha se agravado naquela semana.

“Pelos sintomas iniciais que a paciente vinha apresentando, ou seja, dor de cabeça já arrastada de um mês, ela não entrou no protocolo da gente fazer, por exemplo, uma tomografia. Não foi uma dor súbita. Inicialmente nós fizemos os exames laboratoriais, nos quais não mostraram grandes alterações e foi feito o tratamento sintomático e a observação clínica”, explicou.

No atendimento de sábado, entretanto, a mudança no quadro preocupou o médico e, por isso, foi transferida para a Santa Casa, onde os casos mais graves são tratados.

“Aí sim ela já voltou em um quadro com uma insuficiência respiratória importante. Ou seja, ela estava em um quadro que a gente chama de choque séptico. Aí foi feito todo o primeiro atendimento e foi enviada imediatamente”, disse.

Sem atestado de óbito

Segundo Lima, o médico que atendeu a filha dele na Santa Casa não quis assinar o atestado de óbito e por isso ele registrou um boletim de ocorrência.

“Ele falou que no atestado de óbito ia colocar a causa da morte como desconhecida, que ele não sabia explicar do que ela tinha morrido e eu não aceitei, porque amanhã alguém vai perguntar para mim do que a minha filha morreu e eu vou falar que não sei?”, contou.

O corpo de Bianca foi enviado para o Instituto Médico Legal (IML) de Limeira e o laudo na necropsia com a causa da morte deve sair até o fim desse mês. A jovem era casada e mãe de um menino de 2 anos.

Informações G1 São Carlos Araraquara

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