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Médico ‘transforma’ paciente que chegou com fome a hospital

Um morador de rua que deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento de Peruíbe, no litoral de São Paulo, recebeu mais do que um tratamento médico de praxe. Diagnosticado com um suposto ‘surto’, o homem, na verdade, estava apenas com fome. A história do paciente, que viralizou nas redes sociais nesta segunda-feira (10), acabou comovendo um médico e enfermeiras da unidade que, após o atendimento, chegaram até a cuidar do visual do homem.

O paciente, que vive nas ruas do município, foi levado à UPA pelo SAMU como um “desconhecido” com quadro de “surto”. No entanto, a história não era bem essa. Apesar de falar algumas frases desconexas, ele estava apenas com fome. Tanta fome que não hesitou em aceitar tomar um banho, aparar a barba e cortar o cabelo em troca de duas marmitas. Tudo isso dentro do hospital.

Segundo o médico Bruno Chehade Pereira, responsável pelo atendimento e cuidados com o paciente, não foi necessário dar medicação. “Olhei pra ele e troquei ideia. Ele estava com fome. Perguntei se queria comida e ele respondeu que sim. Então, fui até a cozinha, peguei uma ‘quentinha’ [marmita] e dei pra ele. Estava com tanta fome que o arroz caia da boca”, relembra.

“Depois de conseguir comer, ele também pediu para tomar um banho, e precisava porque o cheiro não estava nada agradável, mas não tinha nada a ver com bebida. Era muita sujeira. Logo pensei em ‘dar uma moral’ nele”, acrescenta o médico carioca que atende na UPA da cidade há cerca de cinco meses.

Chehade contou também com o apoio de um grupo de enfermeiras. “Sempre que possível fazemos esse tipo de trabalho, mas não divulgamos. É mais por satisfação pessoal. O porta-malas do meu carro sempre tem roupas que eu compro em brechós e separo em caso de alguma necessidade”, explica a enfermeira Katya Vicente.

Durante o atendimento personalizado, o médico lembrou que além de cortar o cabelo do paciente, guardava uma máquina de barbear na bolsa e poderia também fazer a barba do homem. Ele aceitou, mas na condição de receber mais uma “quentinha” da equipe. Pedido atendido. “O cara estava com tanta fome que relaxou e dormiu enquanto eu cortava o cabelo dele. Foi um dia de príncipe”, brinca o médico.

O resultado da transformação e do ato da equipe médica repercutiu nas redes sociais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente não tinha documento de identidade, mas agradeceu os cuidados e preferiu ir embora sem dar mais detalhes. A equipe de Assistência Social fará um levantamento para tentar localizar o cadastro do morador e prestar acompanhamento.

Reconhecimento

O atendimento humanizado não foi um caso isolado. São muitos os pacientes que postam mensagens de agradecimento ao profissional nas redes sociais. Ele também costuma receber cartas de crianças após atendimentos na pediatria.

Em 2008, quando trabalhava em Joanópolis, no interior de São Paulo, o médico foi eleito em uma pesquisa de opinião pública como o melhor médico pediatra do município.

“Eu gosto de usar a seguinte frase: se eu não conseguir curar, tento aliviar o sofrimento das pessoas. Venho de família humilde, já passei por muitas dificuldades e sei que às vezes as pessoas precisam apenas de um pouco de atenção. É muito mais que um medicamento”, explica Chehade que já foi médico do Exército, da Polícia rodoviária Federal e atualmente trabalha na emergência da UPA, além de atuar como cirurgião estético.

Via G1

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